Para ser interativo não precisa ser digital
Eu sei que com esse post eu vou contra o discurso de muitas pessoas, mas é o que eu acredito. Eu sempre bati nessa tecla. Apesar de trabalhar em uma agência com foco nos meios digitais eu acredito que a internet não é tudo isso que falam. O discurso é de que ela mudou o mundo e todos os créditos ficam ela. Mas eu lembro que no inicio do livro que expõe a teoria do Long Tail o autor coloca que toda a infraestrutura já estava lá. Já havia portos funcionando a todo vapor, empresas trocando informações através de fax, pessoas se comunicando de diversos modos. Ou seja, a internet não criou tudo isso, já estava tudo lá, a tecnologia foi apenas a faísca que precisávamos para acelerar a evolução, mas não foi que ela que criou o mundo como nós conhecemos.
Do mesmo modo que não é justo afirmar que a internet criou o mundo como nós o conhecemos, também não podemos dizer que ela é detentora da interatividade. Jensen, no livro Interactivity: Tracing a new concept in media and communication studie, define interatividade como: “a relação entre duas ou mais pessoas que, em determinada situação, adaptam seus comportamentos e ações uns aos outros”. Essa definição é do ponto de vista sociológico, mas creio que pode ser lida como “a relação entre duas ou mais emissores/receptores que, em determinada situação, adaptam seus comportamentos e ações uns aos outros”. Viram que não há nada falando digital. É claro que devemos fazer um contraponto, é óbvio que a mídia digital tem um forte caráter interativo comparado a outros meios de comunicação. O que eu defendo aqui é que ela não é detentora exclusiva dessa característica.
Vou exemplificar o que eu quero dizer. Uma operadora chamada Aircel na Índia colocou um outdoor em Mumbai com um bote inflável preso a ele. No outdoor uma mensagem dizia em caso de emergência corte a corda (que soltava o bote). Ele foi colocado em um local onde ocorrem muitas enchentes e abaixo dizia “Navegue através de nosso network”. Você pode achar a idéia batida ou um pouco clichê. Mas o cenário muda quando ocorre uma enchente e as pessoas da rua pegam o bote e saem navegando pela cidade com ele! Vejam algumas imagens:



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Isso que é publicitário eim! Olharam os problemas da mudança climática e traduziram em uma oportunidade!
Add comment Outubro 23, 2009
Cross Media é muito mais legal!
Há alguns posts atrás fiz um post comparando a efetividade do uso de diversas mídias em uma campanha. Mas além de ser mais efetivo ela também pode ser muito mais divertida. Quando estimulamos o consumidor a interagir com as mídias a publicidade pode ser muito mais divetida. Vejam o exemplo da Axe no Uruguai.
A publicidade na revista vinha com uma imagem incompleta, a peça dizia: “Para completar esse anúncio, envie a mensagem AXE para 2345 depois das 21h.” Ao envia a mensagem o usuário recebia um MMS com o restante da imagem. A criação é da agência Lowe Ginkgo, de Montevidéu.

Interessante não? Imagina o recall de marca após uma propaganda dessas?
Via Brainstorm 9
Add comment Setembro 29, 2009
Métricas em redes sociais
REDES SOCIAIS!!! Tem muitos profissionais que escutam essas 2 palavras e se assustam ou negam sua realidade. Por não ter conhecimento de como lidar com essa nova onda de interações muitas marcas acabam virando as costas para algo que pode gerar grande ativos para a empresa. Estava navegando pela net e encontrei um vídeo da DigitalRoyalty onde eles explicam como estabelecer métricas e como trabalhar com elas. O vídeo é bem didático, infelizmente está em inglês. Mas é fácil de compreender:

Add comment Setembro 17, 2009
Em 2020 os celulares serão os principais meios de acesso a internet
Já ouviram falar do Did You Know? São programetes que trazem importantes dados e estatísticas sobre mídia, tecnologia, comunicação, internet e convergência. Sua última versão abordou o tema internet no celular. Porém antes de entrar nesse terreno acho enteressante olharmos para nosso mercado. Nos últimos 5 anosa base de usuário cresceu aproximadamente em 20%.

É muita gente usando celular, entretanto temos que levar em consideração que a tecnologia desses celulares nao são mais avançadas. Tenho certeza que da base de 162 milhões de aparelhos poucos são Iphones. Mas pensem que daqui a 10 anos a tecnologia dos celulares hig-end estarão massificadas, e as pessoas poderão se conectar de uma maneira muito mais simples. Por isso que eu acho que empresas que desconsideram o celular como ferramenta de publicidade vão ficar para trás. Do mesmo modo como empresas que deixaram a internet de lado e agora tem que correr atrás do prejuízo, vejam o exemplo das Casas Bahia, demorou para formular seu e-commerce. E agora não estão conseguindo decolar, mesmo a base de usuários de internet ser maioria de classe C e D.
Vejam o panorama para 2020 e reflitam como sua empresa pode se adequar a essa nova realidade:

Add comment Setembro 17, 2009
Como funciona os “novos” direitos autorais?
Eu estava fazendo um trabalho para um cliente e me deparei com o seguinte questionamento. Se colocarmos vídeos de usuários tocando músicas de banda profissionais em um canal da marca isso viola o direito autoral do artista? Como funciona a troca de direitos? O que acontece com quem fere esses direitos? Fui pesquisar e acabei esbarrando no já conhecido Creative Commons. Eu já tinha uma idéia do que era mas nunca tinha entendido a fundo até que eu achei esse vídeo. Está dublado em português e é super didático.
Creio que será cada vez mais comum abrir o direito das obras para a co-criação em massa, como havia citado no post abaixo…

Add comment Setembro 4, 2009
O futuro será de graça

Eu me empolguei nesse post e ele ficou longo, mas eu te garanto vale a pena ler até o final.

A frase pode parecer louca, mas no fundo há uma grande movimentação no mundo executivo que apontam para essa tendência. A poucos anos atrás qualquer software era pago, hoje é só buscar no Google freewares e pronto você tem uma verdadeira biblioteca de programas a sua disponibilidade. O Google anunciou que está desenvolvendo um sistema operacional gratuito chamado Google Chrome. Em outras palavras eles vão lançar um concorrente do Windows, porém GRATUITO. Como resposta a empresa de Bill Gates irá lançar o Office 2010 gratuito. Isso mesmo o seu próximo Power Point será de graça!

Mas não é somente no mundo dos softwares que essa história fica. Em outubro de 2007 a banda Radiohead lançou o álbum ” In Rainbows” na internet e as pessoas pagavam o quanto achavam justo. Segundo a Wired a banda faturou 10 milhões de dólares, o preço médio pago foi de 8 dólares e o album foi baixado 1,2 milhões de vezes! E isso apenas nos primeiros meses. O barato saiu barato (pego o trocadilho?). Como não teve gastos de distribuição, embalagem entre outros a banda lucrou muito mais do que com um CD normal. Os caras foram muito inteligentes, pois além fazerem mais dinheiro com algo que era de graça, a notícia correu o mundo atraindo atenção de muitos. Pessoas que nunca haviam escutado o som deles pode baixar para ver se era bom. Ou seja os ganhos não ficaram apenas nos álbuns que foram pagos e sim também nos novos fãs conquistados que logo depois pagaram para assistir shows, comprar Cds e DVDs. Ou seja eles fizeram propaganda da banda e ainda ganharam para isso. Mas sabem porque tudo isso deu certo? Porque eles entenderam o poder da audiência. O volume faz dinheiro e a internet permite que você atraia o mundo inteiro para seu site. Algo que o Google já entendeu a muito tempo…e que a Microsoft está começando a perceber agora.
O Google dispõe de diversas ferramentas mas eles são umas da empresas mais lucrativas do mundo. Mas como?! A audiência custa dinheiro, e isso eles tem de sobra. Cobrar pela sua atenção é a idéia. Por isso eu acredito que em algum momento os Sistemas Operacionais irão utilizar ferramentas para atrair audiência e conseguir assim rentabiliza-lo. E não creio que será levando anúncios ao seu desktop, e sim utilizando outras ferramentas que suportem a publicidade. Por exemplo eu quero fazer uma busca no Windows, a ferramenta seria o Bing (buscador da Microsoft). E nesse local eu teria mídia. Se falassem para você “Damos um aplicativo de graça para você em troca da sua atenção” com certeza você iria dizer sim. Isso já está ocorrendo, mas ninguém te perguntou nada.

Mais um exemplo, já ouviram falar no game Battlefield? Ele ocorre em diversas guerras, já exploraram a segunda Guerra Mundial, Guerras atuais e futurístas. Porém a EA teve a brilhante idéia de desenvolver uma versão gratuita. Chamada Battlefield Heroes. A produtora ganha vendendo itens de customização como roupas e acessórios. E além disso anunciantes pagam para aparecer no game. Desse modo eles conseguiram rentabilizar o jogo sem ter que cobrar por ele. A sua atenção pagou por ele. Interessante não?

Até onde essa onda vai se estender eu não sei, mas pode ter certeza que vai longe! Até uma montadora já conseguiu utilizar a audiência para gerar valor. O projeto Fiat Mio que surgiu ano Brasil tem como fundamento a colaboração em massa. A idéia é que as pessoas se cadastrem e deixem suas idéias de o que poderia ser melhorado nos carros. Vai desde regular o volume da buzina como colocar bancos feitos de FOM (aquela almofada que vende em estandes dos shoppings). E após analisar as informações a FIAT vai produzir um protótipo de um carro que trará todas essas idéias e colocará no salão do automóvel. Em um mês o site teve 4.000 idéias registradas e visitas de usuários de 63 países. No último final de semana o projeto ficou na capa do site da AdAge, um dos mais influentes quando o assunto é publicidade. E qual o preço que a FIAT pagou? Nada. Apenas desenvolveu a idéia, um site para suportar esse volume de idéia e pronto. Imagina o quanto não custaria uma pesquisa para conseguir todos esses dados? E tempo de coleta? E a assessoria de imprensa para colocar a FIAT Brasil na AdAge? Eles não pagaram por isso, utilizaram o poder da audiência. Porém eles tinham a moeda de troca perfeita para atração dela, relevância. Viu? Sua empresa também pode adquirir conhecimento sem pagar nada.
Qual outro setor poderia explorar essas forças das massas?
Deixo aqui uma bibliografia sobre o assunto, vale muito a pena a leitura:
Wikinomics: How Mass Collaboration Changes Everything
Free: The Future of a Radical Price

Add comment Setembro 3, 2009
Internet matará a televisão
Calma! Quem disse isso não fui eu e sim o criador do Youtube, Chad Hurley.
Pela primeira vez no Brasil para participar do Digital Age 2.0, evento que discute novos caminhos para a internet, Hurley disse que “a idéia de transmissão ao vivo está morta. Claro que no futuro ainda teremos a experiência de ver TV, talvez em eventos ao vivo. Mas a idéia de uma família sentada no sofá, às 20h, esperando um programa, não vai mais existir”.
Eu tendo a concordar com ele. Já vemos agora um avalanche de filmes e seriados sendo baixados por internautas e eu acredito que isso reflete muito esse contraste do modelo de televisão anos 50 e as novas tecnologias. Quando alguém baixa um seriado, além de não ter que esperar a série passar na TV a Cabo (que as vezes demora mais de 6 meses e ainda é dublado!) ela busca comodidade. Quando digo comodidade é, “Eu vejo isso a hora que eu quiser e como eu quiser”. Muitas vezes estamos vendo algo e outra coisa chama a atenção, então eu pauso e volto a ver apenas quando for conveniente para mim. É ai que a televisão fica obsoleta.
Mas eu complementaria a frase de Hurley, “A internet matará a televisão como a conhecemos hoje”. Eu acredito que quando a televisão conseguir prover autonomia para que a audiência escolha ver o conteúdo no momento em que for mais conveniente ela irá recuperar o fôlego. Mas a TV não será mais a mesma ela será um TV 2.0 (desculpem o clichê). O VOD será o novo formato de conteúdo audiovisual massificado eu creio. Na Europa ele já vem ganhando folego e o mais interessante é que ele funciona como uma mescla de computador com TV.
Explicando de maneira bem grosseira, quando você liga a TV ela se conecta a um servidor, e você escolhe o que quer ver. Porém com uma imagem boa e não aquelas do Youtube ou filmes baixados. Mas ai que está o problema, a capacidade de rede para streaming desses vídeos tem que ser alta para não dar “gargalo”. Teve um cliente que estava em fase de testes aqui no Brasil, e ele disse que a conexão mínima era de 3 MB para conseguir assistir VOD. Ou seja bem distante da realidade brasileira. Mas eu creio que um dia isso vai ganha escala e esse novo modelo de TV conseguirá atrair atenção da audiência. Abaixo deixo vídeos que explicam o VOD. É bem interessante e tem formatos publicitários bem diferentes. Mas vou deixar isso para outro post…

Add comment Agosto 28, 2009
Qual a mídia do futuro? Todas
Se você em algum momento já trabalhou com publicidade em meios digitais com certeza ouviu falar de métricas (timespent, return rate, pageviews etc). Mas como funciona as métricas dos meios offline? Será que faz sentido olharmos cada um separado em um mundo que está cada vez mais cross media? Em uma entrevista feita pela Digital Age o presidente da comScore, Gian Fulgoni, empresa norte-americana de análise de dados sobre internet, colocou em questão o modo como as empresas olham essas métricas. Dizendo que muitas vezes o impacto delas não é direto, e sim o que está por trás dessas métricas.
Vejam um trechos da entrevista abaixo
Para medir o verdadeiro ROI em uma campanha de marketing online é necessário olhar além dos efeitos
imediatos e medir o impacto latente (as mudanças no comportamento do consumidor causadas pela exposição da publicidade com o tempo, como resultado do acúmulo da exposição de um anúncio). Além disso é preciso verificar as mudanças de comportamento que a publicidade causa no ambiente offline (em uma loja do varejo, por exemplo).
Esse ponto eu acho muito importante, a convergência de mídias e o consumo crescente de diversas mídias ao mesmo tempo demanda uma análise de métrica Cross também. Não adianta mais colocar um anúncio na TV e um banner na internet e utilizar apenas uma métrica para medir a efetividade. E muitas vezes o efeito ocorre a longo prazo, visto que a comunicação muitas vezes é para promover a marca e não um produto/serviço.
Aaker em seu livro “Brand Equity” demonstra um dado que reflete isso, na indústria automobilística uma comunicação para aumentar a percepção de qualidade demora em torno de 5 anos para realmente surtir efeito nas vendas. Mas se o anunciante conseguir chegar nesse estágio a barreira de mudança para a marca concorrente será muito maior do que uma comunidação promocional. Há uma empresa que trabalha com mensuração de cross media chamada Dynamic Logic, vale a pena dar uma olhada. Peguei um case deles onde fizeram um estudo sobre a efetividade do Cross Media. Uma marca de TV chamada Olevia fez uma campanha Cross utilizando diversos meios da ESPN. Foram utilizados TV, Rádio, Revista e Internet. Vejam abaixo como o uso de diversas mídias tem um impacto muito mais significante. É um pouco óbvio, visto que sua marca estará em mais lugares, mas o que me impressiona é que apenas o uso da TV não tem tanto impacto.

Se quiserem baixar esse caso clique aqui.
Assim eu acredito que os futuros profissionais de mídia terão um belo trabalho pela frente. Os planos terão que integrar diversos meios

Add comment Agosto 20, 2009
A revolução já começou…
Pessoa,
Infelizmente hoje estou sem tempo, mas não vou deixar vocês na mão. Fica um vídeo que mostra como a evolução dos meios digitais estão mudando o mundo e claro a forma como o consumidor interage com o que está a sua volta. Ele tem dados muitos legais, como demonstrando que o rádio demorou 34 anos para atingir 50 milhões de usuários, a TV 15 anos. E o Facebook por incrível que parece demorou 9 meses para atingir 100 milhões de usuários o dobro de audiência!
Abs!

Add comment Agosto 17, 2009
Uma marca nos anos 50 e hoje
No início da publicidade os esforços de comunicação focavam muitos mais na marca. Como por exemplo a frase “Coca-cola isso faz um bem” dito no comercial da Coca na década de 50. Vejam que não é explorado nada do produto em si, não dizem o que ele tem ou seu gosto. Isso por diversos fatores, um deles é a pouca opção de escolha que os clientes tinham na época. Se esse comercial fosse veiculado hoje, tenho certeza que muitos clientes iam achar bizarro!
Vamos acelerar o tempo em 59 anos. Atualmente as marcas estão mais competitivas, existem produtos concorrentes e substitutos em grande quantidade. Apenas falar que a marca existe não faz mais sentido. Até porque hoje, TODO mundo sabe que a Coca existe. Ela não precisa mais falar da marca. Vejam que a comunicação é muito mais emotiva, não há um argumento racional, apenas um sentimento. E isso é muito mais forte do que um aspecto racional. Quando você se liga ao consumidor através de um sentimento você atinge uma ressonância muito mais forte. Até porque o consumidor consegue comparar aspectos racionais facilmente para comparar marcas, quando falamos em um sentimento dai é outra história. E cá entre nós a marca fica muito mais forte quando oferecemos argumentos emocionais. Vejam:
E abaixo segue o vídeo da Coca nos EUA. Simplesmente fantástico!
E você achava que o Urso polar dando Coca para seu filhote não fazia sentido né?

Add comment Agosto 14, 2009